O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), ganhou mais de 1 milhão de seguidores somente no instagram, em cinco dias após a megaoperação policial nos Complexos da Penha e do Alemão, realizada na terça-feira (28). A operação, deixou 121 mortos, incluindo quatro policiais, sendo dois da Polícia Civil e dois do Batalhão de Operações Especiais (BOPE).
Até o dia anterior à operação, Castro acumulava pouco mais de 625 mil seguidores em seu perfil oficiail no instagram. Após os confrontos, e até o momento da publicação desta matéria, o número passava de 1,7 milhão. Em 48 horas, suas postagens geraram 2,5 milhões de interações, consolidando sua presença entre os governadores mais influentes nas redes, saindo da 12ª para a 8ª posição no ranking nacional.

Falas do governador impulsionaram crescimento
Ainda com a megaoperação em andamento, Castro adotou um tom duro, chamou os alvos da operação de “narcoterroristas” e afirmou que “de vítimas lá só tivemos os policiais”. O vídeo com esta fala ultrapassou 15 milhões de viralizações em poucas horas, e foi compartilhada por perfis conservadores, influenciadores e políticos aliados. O governador também reclamou da ausência de apoio federal, chegando a dizer que “o Rio está sozinho nessa luta”.
Entretando o alcance do governador fluminense não se limitou a perfils de direita e influenciadores, outros governadores como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO) aproveitaram o “hipe”. Caiado, inclusive, além de elogiar o trabalho de Castro, chegou a oferecer o apoio das tropas de Goiás.
Lula se manisfesta de forma “tímida”
O presidente Lula se manifestou oficialmente apenas no dia seguinte (quarta-feira, dia 29) sobre a megaoperação que deixou 121 mortos. Em post nas redes sociais, Lula afirmou que “não podemos aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias, oprimindo moradores e desafiando o Estado”.
Aliados e representantes de movimentos sociais consideraram um tom “tímido” e afirmaram que esperavam uma condenação mais enfática diante do número de mortos e das denúncias de abusos cometidos por policiais.
Por outro lado, parlamentares ligados ao petista interpretam a fala como um sinal de cautela diante da polarização do tema nas redes sociais e do crescimento da popularidade digital do governador Cláudio Castro após a operação.

Maior operação da história do RJ
Realizada na última terça-feira (29), nos complexos da Penha e do Alemão, zona norte do Rio, a operação Contenção que cumpria cem mandados de prisão e buscava conter o crescimento da facção criminosa Comando Vermelho, terminou com 121 mortos, 113 presos —destes, 40 são de outros estados, e 118 armas apreendidas — 94 fuzis e 24 pistolas que somados custam R$ 9,3 milhões. Entre os mortos, além dos quatro policiais, estão 117 pessoas com ligação ao tráfico, segundo a Secretaria de Segurança Públicas. Destes 99 já foram identificados e constatou-se que 78 já possuiam antecedentes crimininais.
De acordo com a Polícia Civil, entre os traficantes mortos, quatro eram chefes do tráfico em seus estados. Francisco Myller Moreira da Cunha, o “Chico Rato” liderava a facção em Manaus (AM), Fábio Francisco Santana Sales, o “FB” liderava o grupo criminoso em Feira de Santana (BA), além de Fernando Henrrique dos Santos, vulgo “Rodinha” de Goiás e Wesley Martins e Silva, o “PP” que chefiava o tráfico de drogas em Belém (PA). A ação nos Complexos do Alemão e da Penha mobilizou cerca de 2,5 mil agentes, policiais da CORE, DRE e do Bope.

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